[Terminated]

Hoje de manhã vi uma rapariga que parecia sorridente. Já a acompanho há algum tempo embora mal tenhamos falado uma com a outra, mas havia sempre uma certa interacção virtual. De manhã ela disse que ia começar a falar mais sobre a sua depressão e que se ia abrir mais sobre assuntos relacionados com a saúde mental. Normalmente não vejo vídeos logo que eles saem mas lembro-me perfeitamente que ela o tinha acabado de publicar e estava online há exactamente 23 segundos. Pensei em não ver o vídeo mas acabei por fazê-lo. No vídeo, entre outras coisas, ela falou sobre como estava a lidar com os sintomas secundários da medicação a que estava a ser sujeita e que o médico ainda estava a ajustar da melhor forma para que ela se sentisse minimamente bem.

À noite, já perto das 23 horas, vi que ela tinha colocado outro vídeo. Era o final definitivo dela nas redes sociais. Ela diz que desiludiu muitas pessoas com as coisas que está a atravessar no momento e eu penso como é que alguém se pode desiludir com algo que uma pessoa não controla como é o caso da depressão? Mas não é por isso que estou aqui.

Queria só documentar como me sinto triste por ver alguém que tinha um brilho imenso nos olhos abandonar aquilo que mais adorava fazer por causa de uma maldita doença. Não temos culpa, mas é isso que a depressão faz. Come-nos por dentro, todo o pedaço de alma que resta no nosso corpo evapora, desaparece, vira vácuo. Perdemos o interesse em tudo e abandonamos o que nos faz feliz. E neste último vídeo os olhos dela já não tinham o brilho a que nos habituou.

Senti empatia porque sei pelo que ela está a passar e sei que lhe vai doer muito como me doeu e ainda me dói. As suas forças vão desaparecer e eu concordo guardar a energia que resta para nos mantermos minimamente saudáveis física e mentalmente. Não a reprimo por ter abandonado as redes sociais. Chorei quando vi o vídeo, chorei quando lhe mandei uma mensagem à qual não espero resposta. Sei que é difícil responder quando não se quer responder.

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«Eu preciso mesmo de desaparecer. É isso que eu preciso de fazer.»

E quando o medo volta?

Fizeste-te de forte. Foste-o. Passou e descansaste. Achas-te que da próxima vez não ia doer tanto porque já o tinhas feito anteriormente.

Chamam-te novamente. E desta vez vão haver negociações. Vais estar sozinha. Tu, os teus 24 anos e a tua inexperiência. Frente a frente com duas pessoas mais que experientes nesta vida. Não queres que façam pouco de ti. Não queres ser mão-de-obra barata. Preferias que fosse apenas uma pessoa lá, mas não será assim com toda a certeza.

E se no fim de aceitares não fores capaz de fazer o que te propuseram? E se a tua inexperiência te passar a perna?

E o medo voltou. E o que acontece quando o medo volta?

Lá nas Índias

Ontem aprendi uma coisa sobre a cultura oriental, mais propriamente da Índia.

Em casa todos ajudam. Não há ninguém que fique sentado no sofá a olhar para o ar enquanto a mulher lava a loiça e arruma a casa. Há sempre coisas a fazer e todos trabalham em prol da família. Só os mais pequenos podem brincar e são dispensados da ajuda em casa. Se não têm tempo, ajudam depois quando terminarem o que estão a fazer – seja trabalhar ou estudar.

Quando há algum problema com um membro da família, o assunto não é abordado até que todos os membros se juntem numa sala para falar sobre o assunto. Se precisam de dinheiro é pedido ao pai e o pai dá. Se não chegar, todos ajudam com a sua parte e com o que podem.

Depois de uma rapariga casar e esta estiver triste e chore muito por alguma razão, não falam com ela cada um por si. É pedida “agendada” uma reunião familiar com ambas as famílias da rapariga e do rapaz. Só aí ela pode falar sobre o que se passa. Todos juntos tentam resolver o problema. Ninguém é deixado para trás – pai, mãe, filhos, irmãos, primos, tios, sobrinhos…

Vive-se em prol do todo, da família.

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É esta união que falta ao povo ocidental, já que por estas bandas é cada um por si.